Senta que lá vem história...

Era 1992 ou 1993, eu caminhava na parte mais famosa da famosa Rua das Flores, em Curitiba, a Boca Maldita, na companhia de uma conhecida de pouco tempo atrás, e que eu não lembro de ter encontrado novamente depois do episódio que vou contar.

Estava lá, também na Boca Maldita, o músico Oswaldo Montenegro, na companhia de outras duas pessoas claramente próximas dele.

Surpreendentemente, ele não estava cercado por uma multidão pedindo autógrafos. Parecia um anônimo qualquer. Nem acreditei direito que era ele. Eram poucos anos depois de Lua e Flor ter estourado na novela O Salvador da Pátria e alçá-lo a um degrau ainda mais alto na fama nacional. Mas ninguém o perturbava.

Até que nós passamos por lá e nos aproximamos. Eu timidamente perguntei "Você é você mesmo?", ao que ele sorriu e respondeu "Eu sou eu, mas não sei se sou quem você está pensando que sou". "Oswaldo Montenegro?" Ele sorriu confirmando.

Os amigos dele se afastaram um pouco. Pedimos autógrafo. eu não tinha um mísero pedaço de papel em branco. Perguntei se ele daria autógrafo em extrato de banco, daqueles de maquininha. Ele ainda brincalhão falou "Não sendo cheque, eu assino." Minha companhia pediu pra ele autografar um maço de cigarros, e ele tampouco se fez de rogado.

Guardei esse extrato de banco por um bom tempo, mas não sei que fim levou. Ficou só a memória desse encontro fortuito, surreal e divertidíssimo.

Mas olha só, lembra que falei de duas pessoas que estavam com ele?

Tenho quase certeza de que uma delas era a Madá, Madalena Salles, ex-companheira de vida e flautista que tocou com ele desde o princípio dos tempos. Vergonha de não tê-la (re)conhecido; até então acho que eu só tinha ouvido ela tocar e cantar. O outro eu não sei mesmo quem era, mas na minha memória imaginada/reconstituída era o Milton Guedes. Nunca saberei ao certo.

Muito depois desse encontro, eu tive essa impressão de que eles estavam fazendo uma espécie de aposta se ele seria reconhecido. Na minha imaginação, os amigos diziam que ele era famoso e que seria reconhecido rapidamente, e ele dizia pros amigos que eles também eram e também seriam reconhecidos. No caso, só reconhecemos ele mesmo; talvez outros depois tenham reconhecido os outros.

Lembro da primeira vez que ouvi falar dele. Era tipo 1986, eu "trabalhava" numa empresa em que meu pai era sócio, e a secretária me contou de um show maravilhoso que ela tinha ido assistir, desse tal de Oswaldo Montenegro. Que era muito divertido porque quando ele cantava "me mandei pra Curitiba", em Drops de Hortelã, o pessoal de lá vibrava. E foi assim que eu liguei esse artista de que ela falou com esse do qual, anos depois, me tornei grande fã, desses de ter vários CDs e até autógrafo em extrato de banco.

Até blogo,