É com enorme alegria que vejo grupos e lideranças democráticas se mobilizando para disputar espaços democráticos nessa reta final eleitoral brasileira.
O que me dói é observar que aceitem, sem disputa, meios de comunicação nada democráticos que, mesmo bastante regulados e fiscalizados, ainda encontram meios para privilegiar "acidentalmente" seus candidatos favoritos, invariavelmente de direita e extrema direita, e para discreta ou escancaradamente reduzir o alcance das comunicações das esquerdas.
Afinal, longe de serem plataformas neutras como as de outrora, os mediadores dominantes das comunicações digitais têm lado, têm interesses, lutaram muito para alcançar o poder que detêm e não se furtam de usá-lo.
É ilusório crer que essas plataformas nos presentearão com os meios para derrotá-las. "As ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa do mestre" -- Audre Lorde.
Os algoritmos dos mestres dessas plataformas promovem seus interesses, não os nossos. Para quem os contraria, reservam o banimento escancarado ou o silencioso, em que o banido sequer sabe que está silenciado, que seu alcance está artificialmente limitado e suas mensagens já não chegam aos destinatários pretendidos.
Ainda assim, por alguns instantes, não cheguei a conter minha alegria pelo enorme crescimento do grupo Exército do Lula numa dessas plataformas enviesadas.
De qualquer maneira, tinha certeza de que a alegria duraria pouco, antes mesmo de ler que as forças da extrema direita já pleiteavam seu banimento. Com o viés que se tem percebido na justiça eleitoral, não me surpreendi com a ordem de bloqueio, mas com a contra-ordem suspendendo o bloqueio.
Cheguei a levantar a ideia de que atores político-partidários que têm se organizado em torno da bandeira da soberania digital tecnológica deveriam se preparar para saltar para plataformas neutras, descentralizadas, respeitosas da autonomia e da soberania dos usuários e sem interesses ou alinhamentos enviesando e controlando as comunicações, tais como GNU Jami, XMPP/Jabber ou Fediverso, mas já era tarde. O bloqueio e as cobertura jornalística vieram antes que qualquer deles houvesse reagido, ou sequer visto a sugestão.
Houvessem se preparado preventivamente com canais alternativos para reunir os participantes em caso de eventuais bloqueios por mediadores enviesados, as notícias da censura e principalmente da suspensão poderiam haver mencionado as alternativas imparciais e trazido mais gente pra fora da esfera de influência dos mediadores parciais.
Teria sido um primeiro passo para vencer a hegemonia de comunicações pessoais em que nos encontramos, e que dificulta imensamente a paridade de forças nas disputas de narrativas digitais.
Sem dar esse passo, continuaremos levando bailes nas redes, e pior, achando que nossos oponentes estão acertando alguma coisa que ainda não descobrimos como fazer.
A resposta é bem mais simples: os mediadores dessas plataformas têm lado e não é o nosso. Por isso é tão urgente trazer as pessoas de volta para meios de comunicação neutros.
Quem sabe da próxima vez que alguma plataforma mediadora enviesada cometer um "engano" em desfavor de nossos candidatos, ou algum juiz enviesado tomar uma decisão ilegal, quando esses fatos virarem notícia, estaremos preparados, com canais de comunicação alternativos já estabelecidos para divulgação junto à notícia, potencializando ainda mais o efeito Streisand da censura.
Até lá, seguimos remando contra as correntes que nos atrapalham, em
território inimigo, e com árbitros torcendo jogando
contra...
Até blogo,
