A bolha da mal-chamada IA vai estourar, todo mundo sabe, só não sabe muito bem quando, mas a qualquer momento. Vai ser uma tremenda crise global, muito maior que 2000, 2008, 1929 e a pandemia juntas. Quem você quer que esteja no comando do poder executivo quando esse tsunami nos atingir?

As empresas de tecnologia relacionada aos geradores de lero-lero estão se endividando loucamente, sem qualquer perspectiva de gerar lucros. A única que tem lucrado é a Nvidia, que fabrica os chips, vende pras empresas e investe nelas pra poderem comprar mais chips. É uma corrida louca pra ver quem é mais ousado para merecer investimentos, sempre com expectativa de retorno futuro, apesar da atual tendência de que, quanto mais se investe, mais fundo o buraco fica e menor a chance de sequer recuperar o investimento.

Já são trilhões de dólares jogados nessa fornalha de dinheiro usada para comprar computadores e construir datacenters. Somando tudo, os faturamentos anuais não passam de dezenas de bilhões de dólares. Só que o hardware tem vida útil de poucos anos. A conta não fecha e não tem como fechar. A estratégia dos investidores atuais parece ser acelerar o máximo e aí vender tudo antes do estouro.

Quando esse tsunami rebentar, muita gente menos experiente em mercados voláteis vai ter investido muito; muitos fundos de aposentadoria terão investido pesadamente; muitos corruptos terão direcionado fundos públicos para comprar papeis apodrecidos. Esses sofrerão a primeira onda de perdas.

As empresas com maior valor de mercado estão concentradas nessa área. Seus valores vão despencar. O mercado está todo interconectado, então vai haver um outro estouro, não a implosão de uma bolha mas o de uma boiada assustada, com sistemas automatizados vendendo ações em queda livre antes que caiam ainda mais. Quem não dispõe desses sistemas automatizados vai sobrar com os maiores prejuízos. Será muito mais rápido e avassalador que 1929. E não vai ser só a NASDAQ: será ruína global, com contágio muito mais rápido que a pandemia da COVID-19.

Assim como um inverno nuclear, como a nuvem levantada pelo meteoro que deu fim à era dos dinossauros, passaremos por um longo período de crise econômica global. Como em 1929, muitos terão perdido tudo no cassino financeiro, e com a crise, encontrar fontes de sustento pode ser tão ou mais difícil que nos primeiros dias da pandemia, quando todos precisaram se fechar em suas casas.

É difícil não lembrar do período triste da história recente do país, quando um presidente atacava a ciência, fazia pouco do sofrimento das vítimas e se esquivava da responsabilidade de buscar mitigação e solução para os problemas mais urgentes para a sobrevivência.

Não sei vocês, mas eu prefiro que, quando o tsunami econômico cair sobre o mundo, tenhamos um presidente que se preocupa com as pessoas, especialmente com as mais vulneráveis e necessitadas. Alguém que construa, mesmo sob risco de ser tachado de eleitoreiro ou populista, as oportunidades para extrair de um congresso desalinhado com os anseios populares medidas com forte apoio popular e favoráveis à população em geral.

Chega a hora de escolher qual presidente teremos para gerenciar essa crise. Nunca antes na história desse país, do mundo até, houve crise tão grande como a que se avizinha. Precisamos de alguém à altura.

Até blogo,